Lesões do Ligamento Cruzado Anterior no Futebol – Uma Visão Geral
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Lesões do Ligamento Cruzado Anterior no Futebol – Uma Visão Geral


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2021-08-11 09:00:00 |

Lesões do Ligamento Cruzado Anterior no Futebol – Uma Visão Geral

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Lesões Do Ligamento Cruzado Anterior No Futebol – Uma Visão Geral por Murillo Mateus Ismail



No futebol, os maiores índices de lesões são nos membros inferiores, seja no futebol masculino ou no feminino, sendo que as atletas femininas possuem um risco de três a cinco vezes maior para lesões graves no joelho, quando comparadas com os atletas masculinos (GRIMM et al., 2014).

Ainda, o futebol é considerado um esporte de alto risco para lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) por ser uma prática com movimentos de pivô, os quais possuem altas cargas axiais e torcionais aplicadas na articulação do joelho devido aos gestos esportivos, tais como, mudanças rápidas e bruscas de direção, rápida desaceleração, e aterrissagem de um salto (GRASSI et al., 2019).

Segundo Waldén et al. (2016), a incidência de lesões do LCA no futebol é de 0,017 a cada 1.000 horas de treino e de 0,34 a cada 1.000h de jogo competitivo.

Após uma lesão do LCA, os atletas levam, em média, de nove a 12 meses para retornar ao esporte e considera-se que, três anos após a lesão, apenas 65% destes atletas conseguem retornar ao mesmo nível pré-lesão, enquanto 4-5% sofrem uma reruptura do LCA do membro ipsilateral (GRASSI et al., 2019; WALDÉN et al., 2016; LAI et al., 2017).

Desta forma, é necessário entender os fatores de risco para a lesão do LCA, assim como os possíveis mecanismos de lesão. Em relação aos fatores de risco, estes podem ser intrínsecos, ou extrínsecos aos indivíduos.

Os fatores extrínsecos são aqueles externos ao indivíduo, dentre os quais podemos citar: o nível competitivo, já que estudos demonstram maior incidência em partidas competitivas quando comparadas às partidas de treinamento; o calçado esportivo e a superfície do jogo, com maior risco para as chuteiras com um maior número de travas devido ao aumento do atrito e à maior resistência à torção na relação calçado e grama; e, alguns estudos estão surgindo com o objetivo de avaliar a influência das condições meteorológicas no risco das lesões em esportes praticados em gramado natural, ou artificial (RENSTROM et al., 2008; ALENTORN-GELI et al., 2009).

Já em relação aos fatores intrínsecos, estes são pertinentes ao próprio indivíduo, tais como, fatores anatômicos, que incluem a presença de desalinhamentos dos membros inferiores e/ou do valgo dinâmico, os podem influenciar diretamente na lesão do LCA; tróclea rasa; a força muscular, principalmente dos músculos quadríceps femoral e isquiotibiais; e possível inclinação posterior do planalto tibial. Mas também, deve ser levado em consideração os fatores hormonais (RENSTROM et al., 2008; ALENTORN-GELI et al., 2009).

Quando se realiza uma comparação entre os sexos feminino e masculino, observa-se que a mulher apresenta maior frouxidão da articulação femorotibial, maior angulação para o geno valgo e menor tamanho do LCA. Somado a isto, o sexo feminino também sofre maior influência hormonal. Todos estes fatores em conjunto podem explicar o porquê do maior risco de lesão ligamentar no sexo feminino (RENSTROM et al., 2008; ALENTORN-GELI et al., 2009)

Para o sexo feminino, verificou-se que o ciclo menstrual influencia na probabilidade de sofrer uma lesão do LCA, a qual é significativamente maior na fase pré-ovulatória, principalmente entre os dias 9 e 14 de um ciclo menstrual de 28 dias. Nesta fase ocorre aumento do nível de estrogênio, hormônio que possui efeito negativo na proliferação de fibroblastos e síntese de colágeno, o que pode gerar maior propensão à lesão ligamentar (SUTTON et al., 2012; RENSTROM et al., 2008; ALENTORN-GELI et al., 2009).

Pois bem, sabendo dos fatores de risco, pode-se separá-los em modificáveis ou não modificáveis. Dos fatores de risco citados, a redução da força muscular, o calçado esportivo e o tipo de gramado são modificáveis.

Além disso, outra questão muito importante para pensar no processo de reabilitação pós-ruptura do LCA, ou em um protocolo de prevenção, é o mecanismo de lesão.

Cerca de 70% a 84% das rupturas de LCA no esporte são sem contato (ou de forma indireta), tanto no futebol masculino quanto no feminino. O mecanismo de lesão sem contato envolve movimentos de mudanças rápidas de direção, desaceleração brusca, aterrissagem de um salto, e movimentos de pivô com o joelho perto da extensão completa e com o pé fixo no chão (ALENTORN-GELI et al., 2009; RENSTROM et al., 2008; WALDÉN et al., 2015; DELLA VILLA et al., 2020).

No futebol, o principal mecanismo de lesão é a contração excessiva do quadríceps femoral, durante um movimento de pivô ou desaceleração, combinada com rotação medial do fêmur, abdução do quadril, valgo dinâmico e pé fixo no solo em posição de pronação (ALENTORN-GELI et al., 2009; RENSTROM et al., 2008; WALDÉN et al., 2015; DELLA VILLA et al., 2020).

Já as lesões por contato (ou de forma direta), geralmente, ocorrem através de um trauma anterolateral no joelho, causando hiperextensão do joelho e estresse em valgo; ou por um trauma posterolateral no joelho, gerando um estresse em valgo e translação anterior da tíbia em relação ao fêmur (WALDÉN et al., 2015; DELLA VILLA et al., 2020).

Com base no estudos de Waldén et al. (2015) e Della Villa et al. (2020), a situação de jogo mais comum durante uma lesão do LCA é pressionando o jogador adversário, seguido de falha ao tentar recuperar o equilíbrio após um chute e aterrisagem após um cabeceio.

Portanto, antes de iniciarmos um programa de prevenção visando a redução do risco de lesão do LCA, assim como a reabilitação após este tipo de lesão, deve-se fazer uma avaliação minuciosa a fim de reconhecer qual foi o mecanismo de lesão (ou quais são os possíveis mecanismos de lesão); quais fatores de risco estão presentes, e se estes são modificáveis ou não; e qual o gesto esportivo específico para o atleta em questão, pensando inclusive nos seus movimentos e na sua posição de atuação em campo, e não somente no gesto esportivo do futebol de maneira geral.

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Referências:
- ALENTORN-GELI, E. et al. Prevention of non-contact anterior cruciate ligament injuries in soccer players. Part 1: mechanisms of injury and underlying risk factors. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy, v. 17, n. 7, p. 705-729, 2009. Disponível em: .

- DELLA VILLA, F. et al. Systematic video analysis of ACL injuries in professional male football (soccer): injury mechanisms, situational patterns and biomechanics study on 134 consecutive cases. British Journal Of Sports Medicine, v. 54, n. 23, p. 1423- 1432, 2020. Disponível em: .

- GRASSI, A. et al. Epidemiology of Anterior Cruciate Ligament Injury in Italian First Division Soccer Players. Sports Health: A Multidisciplinary Approach, v. 12, n. 3, p. 279-288, 2019. Disponível em: .

- GRIMM, N.L. et al. Anterior Cruciate Ligament and Knee Injury Prevention Programs for Soccer Players. The American Journal Of Sports Medicine, v. 43, n. 8, p. 2049- 2056, 2014. Disponível em: .

- LAI, C.C.H. et al. Eighty-three per cent of elite athletes return to preinjury sport after anterior cruciate ligament reconstruction: a systematic review with meta-analysis of return to sport rates, graft rupture rates and performance outcomes. British Journal Of Sports Medicine, v. 52, n. 2, p. 128-138, 2017. Disponível em:

- RENSTROM, P. et al. Non-contact ACL injuries in female athletes: an international olympic committee current concepts statement. British Journal Of Sports Medicine, v. 42, n. 6, p. 394-412, 7 abr. 2008. Disponível em:

- SUTTON, K.M. et al. Anterior Cruciate Ligament Rupture: differences between males and females. Journal Of The American Academy Of Orthopaedic Surgeons, v.
21, n. 1, p. 41-50, 2012. Disponível em: .

- WALDÉN, M. et al. ACL injuries in men's professional football: a 15-year prospective study on time trends and return-to-play rates reveals only 65% of players still play at the top level 3 years after acl rupture. British Journal Of Sports Medicine, v. 50, n. 12, p. 744-750, 2016. Disponível em: 095952>.

- WALDÉN, M. et al. Three distinct mechanisms predominate in non-contact anterior cruciate ligament injuries in male professional football players: a systematic video analysis of 39 cases. British Journal Of Sports Medicine, v. 49, n. 22, p. 1452- 1460, 2015. Disponível em: .

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5 comentários

Muito bom o artigo

Muito bom ter uma ideia dessa lesão que é tão normal no futebol de hoje em dia.

Muito bom ter uma ideia dessa lesão que é tão normal no futebol de hoje em dia.

Muito interessante mesmo ,estarei presente nas aulas, parabéns!!!

Muito interessante o artigo, gostei bastante....

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